Hoje,encontrei um texto jogado na rua por onde eu passo quase todos os dias indo pro meu trabalho.Juntei,e qual não foi o meu espanto,li,me emocionei;e então resolvi escrever,pois sei que assim como eu ;todos que lerem;vão sentir a mesma emoção.
Começa assim:
Amado Filho,
O dia que este velho já não seja o mesmo: tenha paciência e me compreenda quando derramar comida sobre minha camisa e esquecer como amarrar meus sapatos,tenha paciência comigo e lembre-se das horas que passei te ensinando a fazer as mesmas coisas.
Se quando conversa comigo,repito e repito as mesmas palavras e sabes de sobra como termina,não me interrompas e me escute.
Quando eras pequeno,para que dormisse,tive que te contar milhares,de vezes a mesma história,até que fechasse os olhinhos!
Quando estivermos reunidos e,sem querer fazer minhas necessidades,não fique com vergonha e compeenda que não tenho a culpa disto,pois já não posso controlar.
Pensa quantas vezes quando criança te ajudei e estive pacientemente a seu lado esperando que terminasse o que estavas fazendo.
Não me reproves porque não quero tomar banho;não me chames a atenção por isso.
Lembre-se dos momentos que te persegui e,os mil pretextos que inventava para tornar mais agradável o seu banho.
Quando me vejas,inútil e ignorante,na frente de todas essas coisas tecnológicas que já não posso entender,te súplico que me dê todo o tempo que seja necessário,para não me machucar com teu sorriso sarcástico.
Lembre-se que fui eu quem te ensinou tantas coisas:comer,se vestir e como enfrentar a vida tão bem como faz,são produto de meu esforço e perseverança.
Quando em algum momento,enquanto conversamos eu chegue a me esquecer do que estamos falando,me dê todo o tempo que seja necessário até que me lembre,e se não posso fazê-lo não fique impaciente;talvez não fôsse importante o que falava e a única coisa que queria era estar contigo e que me escutasse nesse momento.
Se alguma vez já não quiser comer,não insistas.Sei quando posso e quando não devo.
Também compreenda que,com o tempo,já não tenho dentes para morder nem gôsto para sentir.
Quando minhas pernas falharem por estarem cansadas para andar;dá-me sua mão terna para me apoiar,como eu o fiz quando começou a caminhar com suas fracas perninhas.
Por último,quando algum dia me ouvir dizer que já não quero viver e só quero morrer,não te aborreças;algum dia entenderás que isto não tem a ver com seu carinho ou o quanto te amei.
Trate de compreender que já não vivo;senão que sobrevivo,e isto não é viver.
Sempre quis o melhor pra vocês e preparei os caminhos que devem percorrer.
Então pense que com este passo que me adianto a dar,estarei construindo pra vocês,outra rota em outro tempo,porém sempre com vocês!
Não se sinta triste,enojado ou impotente por me ver assim,dá-me seu coração,compreenda-me e me apóie,como fiz quando eram pequenos.
Da mesma maneira eu os peço que me acompanhe para terminar os meus dias.
Dê-me amor e paciência,gratidão e sorrisos,com o imenso amor que sempre tenho com vocês.
ATENCIOSAMENTE... Teus velhos pais
Carta reproduzida do jornal "O Semeador"

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